Quem grava podcast descobre rápido que o gargalo não está no microfone, e sim no que vem depois dele. Uma mesa de som para podcast resolve ganho, monitoração individual, entrada de convidado por telefone e gravação sem gambiarra de cabo. A lista reúne modelos que realmente circulam no varejo brasileiro, das analógicas com saída USB às estações digitais com tela sensível ao toque, para quem grava sozinho, em dupla ou com quatro pessoas na bancada.
A triagem olhou coisas chatas e decisivas: quantas entradas XLR com phantom power o aparelho oferece, quanto ganho entregam os pré-amplificadores, se cada participante tem saída de fone com volume próprio, se dá para gravar multipista em cartão sem computador, se existe mix-minus para chamada remota e se há pads de trilha. Preço praticado em real, presença nos marketplaces e disponibilidade de assistência no país também pesaram, porque mesa importada sem suporte vira dor de cabeça caríssima.
As posições não são decididas pela redação: quem ordena a lista é o voto de quem usa. Em cada mesa de som para podcast vale ler os prós, os contras e os comentários antes de fechar a compra, já que preço e estoque mudam de semana em semana. Se dois modelos parecerem equivalentes, o desempate costuma estar no número de fones e na facilidade de operar ao vivo.
Lançada em 2022 como sucessora da RØDECaster Pro original, a Pro II abandonou o formato de "quatro microfones e pronto" e virou um estúdio de mesa. São quatro entradas combo Neutrik que aceitam microfone, linha ou instrumento, com pré-amplificadores Revolution de até 76 dB de ganho, folga suficiente para microfones dinâmicos exigentes como o SM7B. O roteamento trabalha com nove canais atribuíveis, seis faders físicos e três virtuais, além de oito pads SMART para trilha, efeitos, bleep e comandos MIDI. Grava multipista em microSD ou direto no computador por USB, com processamento APHEX embutido.
Faz sentido para quem produz episódio semanal com convidados e quer sair da gravação quase pronto, sem passar horas na edição. Quem grava sozinho e tem orçamento curto vai pagar por recursos que não usa: no Brasil ela passa dos cinco mil reais e o cartão microSD não vem na caixa.
A Duo é a irmã menor da Pro II: mesma cara, mesmo motor quad-core e mesmo processamento APHEX, mas com duas entradas combo Neutrik em vez de quatro. O painel traz sete canais atribuíveis, quatro faders físicos e três virtuais, seis pads SMART programáveis e tela colorida sensível ao toque. O diferencial pouco divulgado está nos receptores sem fio da Série IV embutidos, que emparelham direto com Wireless GO II e Wireless ME sem receptor externo ocupando entrada. Gravação multipista vai para microSD, e há duas conexões USB-C mais porta Ethernet.
Boa escolha para podcast de duas cabeças ou para quem alterna estúdio e gravação externa com microfone de lapela. Com três ou quatro pessoas na mesa aparece o limite: apenas duas saídas de fone e duas entradas de microfone, o que obriga a distribuidor de fone e adaptações.
Estação de podcast da TASCAM montada em torno de uma tela de 5 polegadas, com quatro entradas combo XLR/TRS e quatro saídas de fone, cada uma com volume próprio. Grava até 14 faixas no cartão SD, sendo 12 canais mais a mix estéreo, e funciona como interface USB de 14 entradas e 2 saídas. Traz oito pads para vinhetas e efeitos, função Mix-Minus para receber chamada por Bluetooth, USB ou cabo TRRS de quatro polos sem eco, e vem com fonte, cabo USB-C e o software editor de podcast da própria TASCAM.
Serve bem a mesa de quatro pessoas que grava sem computador e quer as faixas separadas para editar depois. Não é para quem grava na rua: depende de tomada, não aceita pilhas e o cartão SD é comprado separado. Quase toda configuração passa pela tela, o que incomoda quem prefere botão dedicado.
Mixer digital de seis canais que a Mackie desenhou para criador solo ou dupla. São duas entradas combo XLR/TRS com pré-amplificadores Onyx80, canal estéreo em TRS, entrada mini-jack e canal Bluetooth bidirecional, tudo comandado por uma tela de 7 polegadas com tratamento antirreflexo. O detalhe que separa a DLZ das concorrentes são os modos de operação: Easy, Enhanced e Pro mudam a profundidade dos controles conforme a experiência do usuário, com o assistente Mix Agent guiando o ajuste de ganho. O processamento inclui EQ paramétrico de três bandas, noise gate, de-esser, compressor e reverb, e a gravação vai para microSD ou USB-C em 14 entradas por 4 saídas.
Indicada para quem transmite ao vivo e não quer aprender teoria de áudio antes do primeiro episódio. Duas entradas de microfone limitam a mesa cheia, e a assistência técnica da marca no Brasil é concentrada em poucos importadores.
Versão grande da linha DLZ, com quatro pré-amplificadores Onyx80, quatro saídas de fone e uma tela sensível ao toque de 10,1 polegadas que domina a bancada. Aceita três fontes externas de áudio, incluindo canal Bluetooth para convidado por telefone, e grava direto em cartão SD, pendrive USB ou no computador. Os modos Easy, Enhanced e Pro repetem a lógica da versão XS: o mesmo aparelho serve para quem nunca mexeu em mesa e para quem quer editar compressor faixa por faixa. Há pads iluminados para samples e vinhetas, com bancos para organizar o material.
Vale para estúdio fixo com quatro microfones e rodízio de convidados, especialmente onde vários operadores diferentes usam o equipamento. Cobra caro por isso, ocupa espaço de verdade na mesa e, sendo produto importado, o preço oscila conforme o câmbio e o lote do vendedor.
Gravador e mixer portátil da Zoom com seis entradas XLR, phantom power de 48 V e até 70 dB de ganho em cada canal, o que dá conta de microfone dinâmico exigente sem pré-amplificador extra. Cada participante tem sua própria saída de fone com volume independente, detalhe que muitas mesas mais caras não oferecem. A tela colorida de 4,3 polegadas controla os nove pads de som, distribuídos em quatro bancos, e o aparelho grava até 13 faixas em cartão SDXC de até 512 GB. Mix-Minus atende dois convidados remotos sem eco, e a edição básica é feita no próprio equipamento.
Boa opção para mesa redonda com cinco ou seis pessoas e para gravação fora de casa, já que aceita pilhas, fonte ou alimentação USB. O acabamento é plástico e a tela é pequena para navegar em menus longos. Bluetooth exige o adaptador BTA-2, vendido separadamente.
O caçula da linha PodTrak resolve o básico bem: quatro entradas XLR com phantom power e até 70 dB de ganho, quatro saídas de fone com controle individual e entrada TRRS para puxar convidado pelo celular. Funciona como interface USB de duas entradas e duas saídas, grava em microSD e roda com duas pilhas AA, o que permite gravar em qualquer lugar sem tomada. Quatro pads de som cobrem abertura, encerramento e vinhetas. No Mercado Livre costuma sair na casa dos mil reais, o menor preço entre as estações dedicadas a podcast.
Encaixa em quem está começando, grava entrevista em campo ou precisa de um segundo aparelho de reserva. Não tem tela colorida, o display é simples e a operação depende de menus. Ligar phantom power derruba as pilhas rápido, então microfone condensador pede alimentação externa.
Mixer compacto de três canais com interface USB, parte da série AG que se tornou padrão entre streamers. Traz uma entrada combo com pré-amplificador D-PRE e phantom power de 48 V, DSP interno com compressor, equalizador, redutor de ruído e reverb acionáveis por botão, além da função LOOPBACK que junta microfone e áudio do computador na mesma transmissão. Grava em 24 bits e 192 kHz, usa conexão USB-C e pode ser alimentado pela própria porta do computador. A geração MK2 acrescentou botão de mute e entrada mini de quatro polos. Preço no varejo brasileiro fica na faixa de R$ 1.400 a R$ 1.700.
Serve para quem grava sozinho, faz live e quer processamento decente sem plugin. Com dois apresentadores acaba: há apenas um canal de microfone e nenhuma gravação autônoma, tudo passa pelo computador.
Irmã maior do AG03MK2, com seis canais e duas entradas combo que aceitam microfone condensador com phantom power nos canais 1 e 2, o que permite gravar duas pessoas de verdade. O canal 2 tem entrada Hi-Z para guitarra sem caixa direta, útil em podcast musical. Trabalha em 24 bits e 192 kHz, oferece a mesma cadeia de DSP da linha AG com compressor, equalizador e reverb, mini entrada e saída de quatro polos para celular e a função LOOPBACK para misturar áudio do sistema. Alimentação por USB e chassi compacto mantêm a bancada limpa.
Boa para dupla fixa que transmite ao vivo e edita no computador. Quem grava com três convidados fica apertado, e a saída única de fone obriga a usar distribuidor. Também não grava em cartão: sem computador conectado, ela não registra nada.
A mesa analógica que aparece em metade dos estúdios caseiros do país. São oito entradas no total, duas de microfone com pré-amplificadores Xenyx e phantom power e duas estéreo, equalizador de três bandas no estilo britânico e o compressor de um botão herdado das mesas Xenyx maiores. A interface USB embutida manda a mistura estéreo direto para o computador, sem precisar de placa de áudio separada. Construção em metal, controles rotativos em vez de faders e fonte externa completam o pacote, geralmente abaixo de dois mil reais.
Faz sentido para quem quer o custo mais baixo por canal e vai gravar apenas a mistura final. Não separa faixas: se um convidado falar alto, o problema fica gravado. Também não tem pads, tela nem mix-minus, e a entrada de chamada remota precisa ser resolvida por fora.