Quem planeja uma pescaria no Pantanal descobre rápido que a hospedagem define a viagem: rio, piloteiro e barco pesam mais do que a decoração do quarto. Esta lista reúne pousadas de pesca esportiva no Pantanal que tratam o pescador como hóspede principal, do sujeito que tira uma semana por ano até o grupo de amigos que repete o roteiro toda seca.
A seleção olhou coisas concretas: distância real até os pontos de pesca, tipo de embarcação e potência do motor, se o pacote inclui piloteiro, gasolina, iscas, gelo e bebidas, qualidade da pensão completa e o acesso, porque estrada de chão e transfer de barco mudam o cálculo do orçamento. Também entraram no filtro a temporada informada por cada casa, o respeito à piracema e a clareza das regras de reserva e cancelamento.
As posições não saem da opinião da redação: quem ordena a lista é o voto de quem já dormiu, comeu e pescou nesses lugares. Vale abrir cada ficha, ler os prós e os contras, olhar os relatos e conferir dois detalhes antes de fechar a reserva: o período de pesca autorizado no estado e a licença ambiental obrigatória, emitida pelo Imasul em Mato Grosso do Sul e pela Sema em Mato Grosso.
Aberto em 1984 no fim da Transpantaneira, no km 145, foi o primeiro hotel da região de Porto Jofre e até hoje muita gente o chama de Hotel do Jamil. Fica na margem do rio Cuiabá, a cerca de 245 km de Cuiabá e 145 km da sede de Poconé, perto da área onde o Cuiabá encontra o São Lourenço. A frota de lanchas Marajó com motor de 115 hp atende a pescaria de pintado, cachara, dourado e pacu e também os safáris fotográficos de onça-pintada.
Serve bem a quem quer juntar vara e câmera na mesma viagem e a grupos grandes, porque a área é extensa e o restaurante self-service dá conta. Não é escolha para quem espera resort: os quartos são funcionais, com ar-condicionado e telas nas janelas. Na cheia, os 145 km de estrada de chão pedem carro alto e paciência, e as reservas passam pelo escritório em Cuiabá.
Rodovia Transpantaneira, km 145, zona rural, Poconé, MT
Pousada pequena e declaradamente especializada em pescaria, na Barra do Aricá, em Santo Antônio de Leverger, a uns 60 km do aeroporto de Cuiabá. São sete suítes climatizadas, com frigobar e TV, e pacotes no formato all inclusive, com barco, piloteiro, alimentação e bebidas no mesmo valor. A pescaria acontece no rio Cuiabá, que rende pintado, cachara, dourado, pacu, piraputanga e barbado, com isca natural ou artificial.
Boa opção para quem tem pouco tempo: dá para sair de Cuiabá pela manhã e estar na água no mesmo dia. Em troca, a estrutura é enxuta, sem grandes áreas de lazer, e o número reduzido de suítes faz as datas de julho a setembro esgotarem cedo. O atendimento comercial funciona quase todo por WhatsApp e redes sociais, o que incomoda quem gosta de tudo por escrito.
Barra do Aricá, Santo Antônio de Leverger, MT
Pousada às margens do rio Cuiabá, em Barão de Melgaço, a cerca de três horas de Cuiabá. Trabalha com pacote fechado: pensão completa, caldos e petiscos antes das refeições, bebidas, barco para dois ou três pescadores com motor de 40 hp e cadeiras giratórias, guia habilitado da região, gasolina, iscas e colete salva-vidas. A temporada divulgada pela casa vai de 1º de fevereiro a 30 de setembro, com política de pesque, fotografe e solte.
Agrada quem não quer somar extras no fim da viagem e quem leva acompanhante que não pesca: há piscina, restaurante, quadra de beach tennis e bastante área verde. Na cheia, o último trecho do acesso é feito de barco, detalhe que pega de surpresa quem reserva sem ler. Também não é o lugar de quem pretende levar peixe para casa, já que a regra da casa é devolver tudo ao rio.
Rio Cuiabá, Barão de Melgaço, MT
Fica na margem do rio Piquiri, na divisa de Mato Grosso com Mato Grosso do Sul, cerca de 40 km acima de Porto Jofre. O acesso já faz parte do programa: aproximadamente 250 km de Cuiabá até Porto Jofre, boa parte em estrada de chão, e mais 45 minutos de barco. A estrutura é modesta e direta: quatro apartamentos quíntuplos com ar-condicionado, restaurante climatizado e um pátio por onde circulam araras, jacarés e capivaras.
Combina com grupos fechados de quatro ou cinco pescadores que aceitam isolamento em troca de água pouco batida. Quem viaja com criança pequena, depende de medicamento contínuo ou de sinal de celular precisa pensar duas vezes, porque farmácia e hospital ficam longe. Com tão poucos apartamentos, a agenda da seca fecha meses antes.
Rio Piquiri, zona rural, Barão de Melgaço, MT
Pousada de pescaria no Porto Canga, em Barão de Melgaço, a 132 km do aeroporto de Cuiabá. Está na margem do rio Cuiabá e perto das baías Sia Mariana e Chacororé, dois endereços clássicos da região para dourado e peixes de couro. Os pacotes são montados caso a caso, para dupla, família ou grupo, com apartamentos climatizados e pensão completa de comida pantaneira.
Funciona para quem quer pescar nas baías sem encarar viagem longa e para quem prefere acertar o roteiro conversando, em vez de comprar pacote pronto. O reverso é a pouca informação pública de preço: sem contato direto, não sai orçamento. A região também é sensível ao nível da água, e em anos de seca forte parte dos acessos às baías fica limitada.
Porto Canga, rio Cuiabá, Barão de Melgaço, MT
Pousada instalada no encontro dos rios Cuiabá e Sapé, perto de Barão de Melgaço, ponto disputado justamente pela variedade de espécies. Opera de fevereiro a setembro, respeitando a piracema do rio Cuiabá, e vende pacote all inclusive: barco com guia local, iscas, gasolina e caixa térmica com bebidas e petiscos a bordo.
Interessa a quem pesa primeiro a qualidade do ponto de pesca e a experiência do piloteiro, e só depois a lista de mimos da hospedagem. Fora da temporada a casa fecha, então não serve para viagem de última hora em outubro ou janeiro. Como a comunicação é quase toda por mensagem, é prudente pedir por escrito o que entra e o que não entra no pacote.
Encontro dos rios Cuiabá e Sapé, Barão de Melgaço, MT
Pousada na margem do rio Piquiri, voltada a grupos que viajam em pescas programadas, com datas e valores definidos com antecedência. Os quartos vão de simples a triplos, com ar-condicionado, TV a cabo e banheiro privativo, alguns com varanda de frente para o rio. A diária é em pensão completa, com café, almoço, jantar, tira-gosto e bebidas inclusas, e ainda há piscina e salão de jogos para as horas sem sol.
Boa pedida para quem prefere entrar em excursão já organizada a montar tudo sozinho, e para quem valoriza comer bem depois de oito horas de barco. Quem precisa de flexibilidade de datas encontra menos espaço, porque o calendário gira em torno das pescas fechadas. O acesso é longo e o contato comercial tem DDD do interior paulista, o que confunde na primeira ligação.
Rio Piquiri, Pantanal, MS
No distrito de Albuquerque, a uns 70 km de Corumbá, a pousada está na baía de Albuquerque, com saída para o rio Paraguai e para os afluentes Miranda, Abobral, Taquari e Negro. A frota é de barcos de alumínio de seis metros com borda alta e motores de 25 e 40 hp, conduzidos por piloteiros da região. Os pacotes reúnem pensão completa, combustível, gelo, iscas e bebidas, e a casa mantém uma butique de material de pesca.
Cai bem para quem quer variedade de rios saindo do mesmo trapiche e para excursões que chegam de ônibus do interior de São Paulo e do Paraná. A hospedagem é de pescador: quarto simples, comida pantaneira caprichada, nada de spa. Na alta temporada a baía fica movimentada, e a autorização do Imasul precisa estar resolvida antes do embarque.
Distrito de Albuquerque, Corumbá, MS
Complexo de porte grande na Estrada Parque Pantanal, MS 184, zona rural de Corumbá, na margem do rio Miranda, um dos trechos mais piscosos do Pantanal Sul. A marca da casa são as passarelas de madeira, cerca de dois quilômetros suspensos sobre a área alagada. Há chalés e apartamentos telados, com ar-condicionado e frigobar, pesca embarcada e desembarcada, safári na Estrada Parque, focagem noturna e cavalgada pantaneira.
Resolve o problema do grupo misto, em que metade quer vara e a outra metade quer binóculo e câmera. Por outro lado, é o oposto de pousada intimista: em feriados e eventos o movimento é grande e o café da manhã fica cheio. A reserva exige depósito de 50% do pacote e as regras de cancelamento são rígidas, com devolução parcial a quinze dias do check-in.
MS 184, Estrada Parque Pantanal, zona rural de Corumbá, MS
Pousada urbana de pescaria em Porto Murtinho, a 440 km de Campo Grande pelas BR-060 e BR-267, perto do porto-geral e da beira do rio Paraguai. São 26 apartamentos e 64 leitos, com restaurante, piscina e estacionamento coberto, escala pouco comum em casa de pescaria. Os pacotes saem com lanchas equipadas e piloteiro, e a cozinha trabalha o repertório pantaneiro de pacu, dourado, pintado e jaú.
Serve a grupos grandes e a quem gosta de pescar de dia e voltar para uma cidade com farmácia, mercado e posto de combustível. Em troca, falta a sensação de isolamento das pousadas ribeirinhas: o cenário bruto só aparece depois de subir o rio. Vale conferir o calendário de pesca do Mato Grosso do Sul e confirmar por telefone o que cada pacote cobre.
Rua Antônio Maria Coelho, 58, Porto Murtinho, MS