Quem procura escolas de circo no Brasil começa perdido: umas ensinam tecido e trapézio como ginástica de academia, outras formam artista de picadeiro com diploma. Esta lista reúne dez casas que dão aula o ano inteiro, para criança de 4 anos, adulto curioso e gente da terceira idade que quer voltar a se pendurar sem medo.
Na hora de escolher, pesaram coisas simples de conferir: tempo de casa, se as turmas são regulares e não apenas oficina de férias, quais aparelhos existem no espaço, tamanho das turmas, cuidado com a segurança, preço de matrícula e mensalidade, e se há vagas gratuitas ou bolsa de estudo. Também olhamos o mapa, para a seleção não ficar presa a São Paulo e ao Rio: entraram escolas de circo de Salvador, Recife, Goiânia, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre.
A ordem das posições não é decisão da redação. Quem sobe e quem desce são os votos de quem já treinou nesses picadeiros e de quem matriculou os filhos. Em cada cartão vale ler os pontos fortes, os pontos fracos e os comentários antes de marcar a aula experimental, porque preço, horário e composição de turma mudam de um semestre para o outro.
A Enclo é a escola de circo da Funarte, instalada na Praça da Bandeira, no Rio de Janeiro, e ficou conhecida por formar artista de picadeiro com diploma na mão. A primeira turma entrou em 1982, e o Curso Técnico em Arte Circense foi reconhecido pelo MEC em 2015, em parceria com o IFRJ, renovada em 2022. São quatro semestres em período integral, perto de 2.800 horas de aula, com acrobacias aéreas e de solo, equilíbrio, manipulação de objetos e disciplinas teóricas.
A turma é nova a cada dois anos e o ingresso sai por edital. No processo para 2025 e 2026 foram 54 bolsas culturais para 22 meses de curso, com reserva de vagas para pessoas negras, indígenas e artistas ligados a circos itinerantes. Serve a quem tem 18 anos ou mais, ensino médio concluído e condição de morar no Rio durante a formação. Quem quer aula uma ou duas vezes por semana, por lazer, precisa procurar outro endereço.
Rio de Janeiro, RJ, Rua Elpídio Boamorte, 4, Praça da Bandeira
Escola criada em 2002 e dirigida por Alex Marinho, na Vila Madalena, uma das mais equipadas do país: colchões, trapézios, tecidos, camas elásticas e aparelhos de acrobacia dividem o mesmo galpão. Reúne cerca de 300 alunos em cursos regulares para crianças a partir dos 4 anos, adolescentes, jovens e adultos, com opções de aéreos e acrobacia, contorção, palhaço e capoeira. O calendário é escolar, mas o curso é livre: dá para entrar em qualquer mês, havendo vaga.
Os valores são anuais e parcelados. A taxa de matrícula está em R$230 e as parcelas variam por faixa etária, entre R$415 e R$480 nas turmas infantis de uma aula por semana, com 15% de desconto para quem faz mais de um curso. No fim do ano acontece o Cabaré, com alunos e profissionais no mesmo palco, e em janeiro e julho a escola abre cursos intensivos de férias. Nos fins de semana o espaço vira aula-festa de aniversário.
São Paulo, SP, Rua Felix Della Rosa, 101, Vila Madalena
Nasceu em 2001 como projeto de circo social e hoje ocupa uma sede na Rua Carmo Neto, em frente ao metrô Praça Onze, com lona armada ao lado do Sambódromo desde 2004. O Programa de Circo Social atende de graça crianças, adolescentes e jovens de 4 a 18 anos, usando circo, teatro e dança como ferramentas de educação complementar, com prioridade para moradores da Cidade Nova, Estácio, Centro, Catumbi e Complexo do São Carlos.
A programação de espetáculos sustenta parte da casa e gera renda para os jovens da trupe, incluindo o Cabaret, que já passou de trinta edições. O forte daqui é a formação de gente da comunidade, não a aula de tecido para adulto pagante. As turmas costumam ficar lotadas e a lista de espera é feita pessoalmente, nas quartas à tarde, com presença do responsável. Boa escolha para famílias do centro do Rio; quem mora longe vai penar no deslocamento.
Rio de Janeiro, RJ, Rua Carmo Neto, 143, Cidade Nova
Começou em 1996, no Recife Antigo, e em 2000 se mudou para a Macaxeira, na Zona Norte, atrás de mais espaço. Em 2008 conquistou sede própria, batizada pelos alunos de Centro Circo da Juventude, com apoio da Oxfam depois de sete anos de parceria. São três frentes gratuitas que funcionam o ano todo: atendimento pedagógico para crianças e adolescentes de 6 a 15 anos, curso de iniciação às artes circenses e a Trupe Circus, para jovens de 16 a 29 anos que querem virar artista ou educador.
Reconhecida como Ponto de Cultura, a escola se sustenta prestando serviço a colégios particulares e com editais e patrocínios, e produz espetáculos que rodam Pernambuco. A matrícula é presencial, na sede, com documentos da criança e presença do responsável, em horário comercial. É uma porta de entrada boa para famílias do Recife, mas não é o lugar de quem procura aula avulsa paga no fim da tarde.
Recife, PE, Avenida José Américo de Almeida, 5, Macaxeira
Fundada em setembro de 1985 por Anselmo Serrat e Verônica Tamaoki, foi a primeira escola de circo do país criada por artistas de fora das famílias tradicionais do picadeiro. O nome homenageia Roger Avanzi, o palhaço Picolino. A base é o Circo Picolino, na orla de Pituaçu, e o festival Viva o Circo, que mostra o trabalho das turmas, chegou à quadragésima edição em 2025. Em 2007 a escola recebeu a Ordem do Mérito Cultural.
Há duas portas de entrada. A gratuita vem por projeto: o curso de iniciação circense abre em torno de 30 vagas para meninos e meninas de 7 a 14 anos, com 70% reservadas a estudantes da rede pública e famílias do CadÚnico, às terças e quintas à tarde. A paga aparece nas oficinas de férias de janeiro, com tecido acrobático, corpo em suspensão e preparo físico, na faixa de R$300 por oficina. As informações circulam mais pelo Instagram e pelo WhatsApp do que por site.
Salvador, BA, Avenida Octávio Mangabeira, Pituaçu
O Laheto veio de longe: o grupo surgiu em 1980 no Baixo Araguaia e virou escola em Goiânia nos anos 1990, pelas mãos do ator Valdemir de Souza, o palhaço Maneco Maracá, e de Seluta Rodrigues. Funciona no Parque da Criança, no Jardim Goiás, como organização mantida por doações, editais e parcerias, e atende mais de 170 crianças e adolescentes. Em 2024 firmou acordo de cooperação com a Secretaria Municipal de Educação para receber 130 estudantes da rede.
As turmas passam por pernas de pau, malabares, monociclo, diabolô, tecido acrobático, trapézio e lira, com palhaçaria e teatro no meio do caminho, além de oficinas de leitura, vídeo e fotografia. A lona também recebe espetáculos e o Festival Razões para Sonhar, com atrações gratuitas. É um projeto voltado à formação de criança e adolescente, com forte viés social; adulto que quer treinar aéreos encontra pouca oferta por aqui.
Goiânia, GO, Avenida H com Rua 72, Parque da Criança, Jardim Goiás
Grupo de Porto Alegre em atividade desde 2004, com espaço próprio na Cidade Baixa desde 2007, na Rua José do Patrocínio. A escola cresceu junto: ampliada em 2011 e com duas salas desde 2016, mantém cerca de 200 alunos matriculados e um time de onze professoras. O carro-chefe é a dança aérea em tecido, ao lado de trapézio, lira, bungee, flexibilidade e pilates, em turmas para crianças, jovens e adultos.
A casa não é só sala de aula. Ali acontecem o Encontro de Malabarismo e Circo, o Cabarezito, noite de palhaços e variedades, e o NoAr, em que aluno divide o palco com professora e artista convidado. O grupo levou duas categorias do Prêmio Açorianos de Circo em 2022 e o Especial do Júri em 2024. Quem procura acrobacia de solo pesada, malabares avançados ou formação técnica com diploma vai achar a grade curta.
Porto Alegre, RS, Rua José do Patrocínio, 280, Cidade Baixa
A TripCirco junta escola, companhia artística e projetos sociais no mesmo endereço, na Rua Santo Antônio, no Rebouças, onde funciona também uma loja de material de malabares. Atua em Curitiba desde o fim dos anos 1990 e mantém cronograma anual de turmas regulares e oficinas, fechando cada semestre com uma mostra dos processos dos alunos. As aulas passam por acrobacia, equilíbrio, malabares, aéreos e flexibilidade, para adultos e crianças.
Os preços são dos mais claros da lista: em torno de R$150 por mês para uma aula na semana e R$200 para duas, com aula experimental gratuita para conhecer o espaço antes de assinar. Os horários se espalham entre manhã, noite e sábado pela manhã, o que ajuda quem trabalha fora. Não há curso técnico nem certificação profissional, e o salão divide agenda com ensaios da companhia, então a grade muda de tempo em tempo.
Curitiba, PR, Rua Santo Antônio, 532, Rebouças
Aberta em 2019 no bairro Santa Lúcia, em Belo Horizonte, por Pedro Sartori do Vale e Maíra Cesarino. Ele se formou na Spasso em 2005 e depois na Esac, em Bruxelas, é especialista em mastro chinês e rodou espetáculos pela Europa; ela é atriz, mestre em Artes pela UFMG e preparadora corporal. A grade reflete essa bagagem: acrobacia de solo, trampolim e cama elástica, trapézio, corda lisa, tecido acrobático, lira, parada de mãos, báscula e mastro chinês.
Além das turmas abertas ao público, o espaço serve de local de treino para iniciados e profissionais, com oficinas pontuais de disciplinas menos comuns. Atende de segunda a sábado, das 8h às 21h. Um aviso prático: o trecho da Rua Kepler onde fica a escola não foi aberto pela prefeitura, e o acesso é pela praça Arcângelo Maleta. O curso de formação profissional foi anunciado, mas ainda não é o eixo da casa.
Belo Horizonte, MG, Rua Kepler, 810, Santa Lúcia
Escola paulistana com mais de trinta anos de estrada, hoje com endereços no Brooklin, Campo Belo, Moema, Morumbi e Campo Limpo. As aulas de circo duram uma hora e são divididas por idade: Circo Baby de 2 a 6 anos, duas faixas infantis até os 13 e turmas adultas a partir dos 14. No aéreo entram tecido, lira e trapézio; no solo, acrobacia, minitrampolim e trampolim. A casa também dá pole dance, ballet, danças latinas e flexibilidade, o que atrai quem quer treinar sem virar artista de picadeiro.
As turmas são pequenas, até seis alunos no circo e quatro no pole, e a escola aceita check-in de aplicativos de academia, como o Totalpass. Vale ler o regulamento antes: o cancelamento precisa ser feito com 12 horas de antecedência e não há reposição de aula perdida. Os valores não aparecem no site, é preciso pedir por telefone ou visitar a unidade mais perto de casa.
São Paulo, SP, Rua Ministro Luiz Gallotti, 81, Vila Cordeiro