Quem torra café sabe que a diferença entre um lote redondo e um lote queimado cabe em trinta segundos de curva. Esta lista reúne softwares de controle de torra de café para quem cansou de anotar temperatura em caderno e quer repetir o mesmo perfil na segunda e na sexta. Serve para a torrefação com três máquinas e também para o torrador de bancada de 1 kg.
A seleção olhou o que interessa na hora de comprar: com quais torradores e sondas o programa conversa, se lê temperatura de grão, ambiente e taxa de subida ao vivo, se automatiza rampas ou apenas registra, quanto custa a licença e se o preço sobe junto com o volume torrado. Contou também a parte chata do dia a dia: exportação de dados, controle de café verde, ficha de cupping, idioma da interface e como funciona o suporte para quem está no Brasil. Ficaram de fora torradores, sondas avulsas e sistemas que só cuidam de estoque.
As posições saem dos votos da comunidade, não de acordo comercial. Em cada card estão os pontos fortes, os pontos fracos e os depoimentos de quem já colocou o software na frente do tambor. Vote no que você usa e conte o que travou na prática.
A Cropster nasceu em Innsbruck, na Áustria, e virou quase padrão de fábrica nas torrefações de especialidade. O módulo Roast, apoiado no Roasting Intelligence, desenha ao vivo temperatura de grão, temperatura ambiente e taxa de subida, sobrepõe o lote atual a uma torra de referência e guarda o histórico na nuvem. Em volta dele existem módulos de café verde, controle de qualidade, cupping e operação de cafeteria, e fabricantes como Probat, Loring e Joper já entregam máquina preparada para conectar.
Faz sentido para quem torra volume e precisa de rastreabilidade: lote, fornecedor, estoque e nota sensorial no mesmo lugar. Para torrador de bancada é grande e caro demais, porque a assinatura é mensal e escalona conforme a produção. Peça demonstração antes: o ganho aparece quando a equipe alimenta os dados todos os dias, não quando alguém preenche na sexta à tarde.
Software livre criado em 2009 por dois cientistas da computação, o Artisan roda em Windows, macOS e Linux e não cobra nada. Ele registra e analisa perfis, faz controle PID com automação de rampas e fala com uma lista gigante de equipamentos por Modbus, MQTT e placas Phidget: Probat, Neuhaus Neotec, ROEST, Typhoon e por aqui Atilla e Carmomaq, que orientam os clientes a importar curvas pelo próprio Artisan. A interface está traduzida para português.
É a porta de entrada natural da torrefação brasileira pequena e média, principalmente onde o orçamento não comporta assinatura em dólar. O preço vem na configuração: sem datalogger ou termopares o programa não lê nada, e ajustar portas, curvas e unidades pede paciência. Gestão comercial completa também não é o objetivo dele, o foco é a torra.
Serviço americano no ar desde 2010, o RoastLog trabalha na nuvem: o torrador conecta as sondas ao logger da própria empresa, o navegador abre o gráfico e cada lote fica arquivado com café verde, perfil e ficha de cupping. A proposta de preço é o argumento principal, mensalidade fixa que não aumenta quando a produção cresce, ao contrário de plataformas que cobram por faixa de volume.
Cai bem para torrefação que quer histórico organizado e relatório por café sem investir em implantação longa. Quem busca automação de rampas ou integração com máquina industrial vai achar pouco, porque o sistema é mais registro e análise do que controle. Suporte e material são em inglês, e o hardware precisa ser importado, o que pesa no cálculo final.
Lançado em dezembro de 2023 pela Mill City Roasters, de Minneapolis, o RoastPATH mistura registro de torra com biblioteca coletiva. O Path Intelligence cruza centenas de milhares de perfis enviados por usuários e sugere caminho de torra a partir de origem, processo e ponto desejado, algo que nenhum concorrente entrega no mesmo formato. Tem plano gratuito, plano completo por 9 dólares mensais e faixas maiores para torrefações de porte, além de compartilhamento de torra ao vivo entre contas.
Ideal para quem tem máquina Mill City ligada por USB, já que a leitura de comandos é nativa nesse caso. Em outros torradores a conversa fica mais limitada e o plano gratuito não guarda perfis, só mostra. O aplicativo é pensado para Windows e a interface não tem português.
RoasTime é o programa da taiwanesa Aillio para o torrador Bullet R1, hoje na quarta geração e distribuído sem custo para quem tem a máquina. Roda em Windows, macOS e Linux, mostra curvas e taxa de subida em tempo real e permite reproduzir um perfil salvo com a máquina seguindo os comandos gravados. A conta no Roast.World sincroniza os lotes na nuvem, guarda notas de cupping e dá acesso a perfis publicados por outros usuários.
Combinação boa para microtorrefação, cafeteria que torra o próprio café e entusiasta exigente, sempre no par com o hardware da Aillio. Fora dele o software não serve, e é aí que mora a limitação: nada de conectar torrador de outra marca. Recursos de comunidade dependem de conta online, e algumas versões chegaram com bugs corrigidos só na atualização seguinte.
Aplicativo da americana Rainfrog para iPhone e iPad, o Roastmaster é compra única na App Store e faz o serviço completo em tela pequena: leitura simultânea de várias sondas, curvas ao vivo, cálculo de perda de peso, cadastro de café verde, blends, sessões de cupping, relatórios e etiquetas. A comunicação com sensores usa protocolo próprio por rede, e há recursos de automação para acompanhar a torra sem ficar digitando.
Escolha típica de quem torra em equipamento pequeno ou adaptado e prefere o tablet apoiado ao lado do tambor em vez de um notebook. Quem trabalha em Windows ou Android está fora, não existe versão. A configuração das sondas exige leitura de manual e disposição para experimentar, e a integração com torradores industriais é limitada.
Projeto recente, o First Crack é um aplicativo nativo de desktop para macOS e Windows que conecta a máquina por Modbus ou Phidget e mostra grão, ambiente e taxa de subida ao vivo. Além do gráfico, cobre histórico de lotes, biblioteca de perfis, estoque de café verde, planejamento do dia e ficha de cupping no padrão SCA, tudo funcionando offline. Importa perfis do Artisan, o que ajuda quem quer migrar sem perder o acervo.
O plano Pro parte de 49 dólares por mês e há teste de 14 dias com limite de lotes, suficiente para sentir se a rotina encaixa. Por ser novo, tem base de usuários menor e lista de equipamentos suportados mais curta que a de Cropster e Artisan, então vale conferir o próprio torrador na documentação antes de assinar. Interface só em inglês.
O IKAWA Pro é o aplicativo que controla os torradores de amostra da inglesa IKAWA, de 50 g e 100 g, e transforma a torra em receita digital: temperatura do ar de entrada e velocidade do ventilador programadas segundo a segundo, execução automática do começo ao fim. Existe biblioteca online de perfis para baixar, e a repetibilidade entre amostras é o motivo pelo qual laboratórios de qualidade, exportadores e mesas de compra usam o conjunto.
Para quem avalia lote de fazenda, monta amostra de exportação ou faz seleção de café verde, resolve. Para produção não serve, a capacidade é de gramas. Também não há qualquer utilidade sem o hardware da marca, que chega ao Brasil por importação e distribuidores, com preço em libras e assistência combinada caso a caso.
O Profiler é o software da holandesa Giesen para os próprios torradores, com a versão 2.0 lançada em 2024. Ele não fica no papel de observador: controla temperatura, rotação do tambor e fluxo de ar dentro da mesma receita, executa o perfil de forma automática, acompanha em tempo real e permite comparar lotes lado a lado. A conexão entre máquinas da linha facilita padronizar quando a torrefação tem mais de um equipamento.
Serve a quem já comprou Giesen, das amostradoras às máquinas da série W, e quer automação sem depender de programa de terceiros. Em torrador de outra marca não roda, ponto. Quem prefere plataforma neutra costuma ligar a Giesen ao Artisan ou ao Cropster, caminho também suportado. Suporte sai da Holanda ou de parceiros regionais, e a interface é em inglês.
Braço de software da alemã Probat, fabricante de torradores desde 1868, o PILOT ROASTER é uma aplicação web para operar a torra pela tela: parâmetros ajustados por toque, perfis comparados e reproduzidos, partida automática de lote e registro de tudo o que aconteceu no processo. Na versão de planta, o pacote PILOT vai além do tambor e conecta moagem, envase e demais etapas, com análise de dados para quem controla linha industrial.
Faz sentido para indústria e torrefação grande que já roda equipamento Probat, marca com presença antiga no mercado brasileiro. Microtorrefação não é o público: preço sai sob consulta, dentro de projeto, e a implantação passa por técnico do fabricante. Quem só quer registrar curva num torrador de 5 kg encontra soluções bem mais baratas.